sábado, março 27, 2004

Simplicidade

Às vezes gostava de chegar aqui e escrever algo magnifico, algo que conseguisse expor a alegria que sinto em algumas coisas simples como uma paisagem calma, um campo relvado com flores. Hoje contudo não me sinto assim, estou feliz, calmo e sinto uma extrema necessidade da simplicidade que às vezes nos falta. Pode parecer estranho mas lutamos tanto para sobressair, para fazer com que sejamos aceites que nos esquecemos de ser nós, pessoas simples, se calhar sem nada de especial para mostrar. Se calhar é essa simplicidade a nossa mais valia e nem lhe conseguimos dar o valor devido...

Oiço a chuva que vai lá fora
e deixo-me levar pela música que cria
ao bater nos vidros da janela.
Apetece-me sair e deixar-me tocar
por esta melodia que acalma.
Peço assim à esta água renovada
que renove também em mim a minha alma
levando de mim as máscaras e tristezas,
estou feliz, hoje mais que nunca!
Por saber que lá fora a chuva cai,
que nada mudou assim tanto neste mundo,
por continuar a fazer parte deste quadro,
por ser pintor e ser pintado,
até que a tela esteja preenchida de todas as cores,
que em tempo indefinido se pintou a minha vida...

quarta-feira, março 24, 2004

Sei lá, uma treta qq

Existem aquelas alturas em que nos sentimos parvos, em que todos os dias nos sentimos felizes, em que nunca temos motivos que nos levem a precisar porque estamos a sorrir, mas a verdade é que sorrimos da mesma forma. Talvez ande numa fase assim e é tão bom! Talvez as perdas que me "abalaram" recentemente me tenham avivado a vontade de viver, a felicidiade que isso representa, há algo mais bonito do que um nascer do sol? Do que as flores da primavera que são levadas pelo vento? Talvez perceba agora o que me faz ser tão agarrado a esta vida, são estes pequenos deleites a que não consigo resistir, e ainda bem que assim é!

Mas pronto, agora que já aparvalhei dou-vos outra sugestão que me esqueci no post anterior, A Paixão de Cristo, o tão contestado filme do Mel Gibson. É de facto mt violento, mas na minha opinião nunca até hoje alguém retratou tão fielmente aquilo que provavelmente Cristo sofreu nas últimas 12 horas da sua vida. Um filme comovente pela própria violência que contém, chocante ao ponto de nos pôr a pensar se tudo valeu a pena, mas afinal, mais de 2000 anos depois continuamos a falar dele... Um bom filme mesmo para quem não é católico, quanto mais não seja por nos mostrar que afinal talvez a humanidade não tenha piorado assim tanto e quanto mais não seja, porque todos devemos respeitar o sofrimento de uma mãe e nisso talvez até hoje ninguém bata o sofrimento de Maria...

segunda-feira, março 22, 2004

Olá vida, adeus passado

Pois que olhando para aqui quase me suicidei, lol, que blog tétrico este meu... não era bem esta a minha intenção aquando da sua criação mas sendo um espaço onde partilho a minha vida com os outros podem perceber que os últimos episódios poderiam ter sido um pouco melhores. Paciência, melhores dias virão...

Bom, primeiro que tudo tenho a aconselhar-vos o novo disco da Barbra Streisand - The Movie Album, mt bom. Esta senhora é uma lady e a sua voz parece ficar mais doce a cada ano que passa (será que tem relação com o vinho do Porto? Quem sabe...). Segundo para quem gosta de ficção devo dizer-vos que Isaac Asimov é realmente um mestre e, quando não é ele que escreve (ou escrevia não é?), consegue reunir um conjunto de novas vozes promissoras, até então desconhecidas, com histórias espectaculares. Fica então a recomendação, quando forem àquelas feiras do livro que agora felizmente se espalham por aí, procurem Vozes do Futuro, um livro editado pela escolha feita por Asimov de alguns autores que ganharam posteriormente os grandes prémios Hugo e Nébula e cujos, em alguns casos, até concluíram algumas das suas obras (por exemplo, Robert Silverberg ou David Brin).
Por fim, para quem gosta das coisas da psicologia (esta área de estudo maravilhosa) devo dizer-vos que a sistémica tem coisas mt interessantes e que me ando a deliciar com um dos livros obrigatórios desta cadeira chamado O Ciclo Vital da Familia da senhora Ana Paula Relvas. Recomendo porque nos dá uma nova perspectiva das dinâmicas familiares e, quem sabe mesmo, uma melhor compreensão do que é e como funciona (ou não) aquilo a que tão simplesmente nos habituámos a chamar de familia.

E pronto, para aliviar um pouco o meu bloggito até porque está aqui a Primavera, divirtam-se e comecem a fazer praia assim que poderem, eu prometo que farei... Bem preciso do meu desejado mar...

Jokinhas e bons trabalhos para todos

quinta-feira, março 18, 2004

Sonhos Perdidos (Dedicatória ao meu afilhado Nuno)

Neste dia acordei de uma forma diferente
Com a paz que me faltava há algum tempo
Sorri, porque por fim era livre novamente
Numa manhã distante que já não lembro.
Olha esta liberdade que me chama,
a serenidade nela contida, abarcada
e amo mais ainda quem me ama.
finalizando calmo esta minha caminhada.
Não chorem mais por mim que já não sofro
E suportem aqueles que não mais posso apoiar.
Foi ao sofrimento que assim pus cobro
E não a vós que alguma vez parei de amar!
Lembrem-me com a alegria de um sorriso,
Honrando tudo o que sempre quis alcançar.
Agora que sou Anjo, amigos, vou voar
Até alcançar o meu desejado Paraíso...

Que haja em ti a alegria que esta vida não te pôde proporcionar e que descanses em paz neste momento e para sempre. Que nesse sitio onde agora estás tudo seja diferente.

Com saudades do Padrinho universitário.
Como em tudo até qualquer dia, até sempre...

terça-feira, março 16, 2004

Sentimentos

É engraçado como a vida dá voltas que não queremos, que não controlamos. Como de repente tudo dá aquela volta mágica de 180º que não percebemos como aconteceu... este fim de semana teve um dia assim. São situações que nos fazem pensar em tantas coisas que parece que só podemos explodir, que não sobra nada, nenhuma razão para continuar esta batalha... É um desespero que atinge um limite quando o que nos perguntamos não é mais complicado do que "Como foi que eu cheguei aqui? onde me perdi eu neste caminho que me era tão promissor, de poder ser diferente da maioria, de sentir orgulho em mim?" E ficamos sem respostas, sem saber o que dizer a nós próprios porque perdemos todos os ideais, todos os sonhos, todas as alegrias que nos faziam notar nas pequenas coisas do dia-a-dia e sentir nelas um enorme prazer de viver... Como sair de uma situação em que apenas sentimos que já não nos conhecemos, que não sabemos mais como controlar a nossa vida... Como remendar um mal que pôde destruir três corações de diferentes formas. Culpei em tempos a vida pelos azares que me pôs pelo caminho, ignorante ser este que eu sou que não soube tirar daí a minha lição, aprender a acalmar o coração. Um amigo disse-me em tempo, "o vosso problema é fazerem do amor uma tábua de salvação...", como tens razão meu amigo!! Mas essa não é a pior parte, pior mesmo é quando nos afundamos agarrados a essa tábua, quando fechamos os olhos ao que nos tenta dizer a nossa razão... estúpidos seres amantes, guiados por tão fracas emoções!
Sou talvez agora um ser um pouco diferente... espero voltar a ser tudo o que fui num passado não tão distante. Talvez fosse mais pateta, mais reservado, mais calminho, mas era sem qualquer dúvida mais íntegro, mais feliz, vivia apavorado pela medo de ter deixado a vida passar-me ao lado sem saber que nunca deveria ter apanhado o seu comboio...

Se não me virem não me esqueçam, pois eu continuo em cada coração, em cada momento importante, mas não posso mais continuar nesta situação... Adoro todos aqueles que passaram no meu coração, seja em que nível for, adoro-vos. Até sempre...

domingo, fevereiro 29, 2004

Reviver

Que saudades tinha deste imenso sentimento
desta alegria enorme em mim,
a música que se abre em cada movimento
e permanece mesmo até ao fim.
Danço sem parar até que se acabe a noite
para manter esta leveza no meu espirito.
E voltam os velhos momentos já esquecidos
que me trazem a vontade de ficar assim...
Agradeço pela companhia com que brinco
que me fez sorrir como antigamente.
Mesmo que tudo isto seja um sonho
ao menos numa noite vou dormir feliz!

São poucos os momentos em que sentimos que realmente gostam de nós e que gostam de estar connosco, hoje foi um desses dias, ou melhor, dessas noites. Aquele alegria de criança que nos fica pelo caminho dá-nos sempre uma grande paz quando volta a aparecer neste breves momentos e, por tudo isso, agradeço a por ter amigos que me fazem sentir assim. Thanks Gonçalo, Pedrocas e António por tudo aquilo que me diverti ;)

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Visões

Da raiva passa-se ao bem estar, e este é, um desses momentos. Quando não temos qualquer motivo, mas o nosso interior sorri como que por impulso, sem que saibamos qual é o seu estímulo... Era neste sentimento que gostava de morar, em que tudo parece tão mais fácil e possível, em que acredito que o amor pode chegar...
Não fecho portas, apenas me custa mais conseguir abri-las, mas eu não desisto de lutar, para todos aqueles que se preocupam. Pessoa entram e saem das nossas vidas levando por vezes pedacinhos que nos impedem de continuar a sonhar como antigamente, mas outras vêm que nos dão mais asas para voar! Este é o papel de todos os que me acompanham, nas alegrias, nas tristezas, mas que lá estão para quando não me conseguir equilibrar... a todos um obrigado especial, a todos dou o melhor que consigo de mim, do meu amor. Não se esqueçam de o pedir, de o usar, de o exigir se for preciso!
E pronto, agora que tenho dito espero que durmam todos bem, tenho saudades de todos os que estão, dos que perdi pelo caminho, dos que hão-de vir, e para todos há um cantinho no meu coração. Boa noite...

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Raiva

Ai que raiva que eu sinto, percorre-me a espinha e tem uma tremenda vontade de rebentar. A raiva que nos cresce quando somos os últimos a decidir a nossa própria vida, quando nem somos consultados... RAIVA. Que vontade de explodir e mandar tudo pro ***** que o pariu. Que sensação estúpida de impotência que não se pode evitar por se estar numa situação que tb não nos é possivel controlar...
Talvez seja uma frase usada em muitos outros sentidos, mas estou que nem posso! MESMO! Fosse eu uma pessoa diferente e já tinha vindo o tecto a baixo... por vezes espanto-me com a minha capacidade de controlo, ou será de estupidez? quando mais me calo mais me pisam e começo a estar tão farto disto... Quando poderei por fim abrir asas e partir, para um sitio onde não me moam a cabeça, onde posso ser eu, e só eu, a decidir...

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Desabafos

Penso nas palavras que me dizem e não compreendo o seu significado. Talvez sejam mundos que não me foram permitidos conhecer e que, por isso, não me façam muito sentido reflectidos nas acções que depois vejo nesta dura realidade. "Facilmente amável" me disseram um dia que eu era, mas eu não consigo perceber. Será sinónimo de facilmente abandonável ou usável?
É neste mistério que me perco, em que tudo começa por frases tão bonitas como tu és uma pessoa espectacular, mm impecável, e acaba com as frases tão bonitas do tipo mas não és aquilo que quero na minha vida... e pergunto-me de que me serve? ser o hipotético namorado perfeito mas que ninguém quer na sua vida?... são antinteses das pessoas deste mundo que não compreendo. Sinto como que se a minha vida fosse uma cassete, gasta pelo tempo, em que certas partes vivem do repeat (um botãozinho chato que parece ter-se avariado no meu leitor da vida...) e das quais não consigo aprender a desviar-me!
Ai como eu queria, conhecer um fim tão diferente, em que no inicio desta história eu não soubesse logo como iria terminar... em que eu não recebesse a fatidica mensagem que tanto me anima: "Mike desculpa, mas não dá mais...". E é assim que eu sou uma pessoa espectacular, uma pessoa quase perfeita, a quem faltou o quase para ser feliz... conheçam a maravilhosa sensação do ser "a melhor pessoa do mundo" a morrer de solidão...

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Procura-se...

Procuro-te sem te encontrar.
Entro neste mundo mágico
sem ver nela a tua existência
e desespero, canso-me, triste de esperar.
Vejo que te perdes nessas tua confussão
na qual não me permites ajudar.
Procuro, talvez já sem esperança,
enquanto a força não me abandonar.
Anseio todos os momentos que tivemos
como aquele futuro desejado
mas sem esperanças do alcançar.
Olho tantas vezes pelo vidro da janela
na necessidade de te rever do outro lado!
Procuro-te... desejo-te... sonho-te
neste mundo que sozinho construí
uma vez mais nos terrenos movediços (do amor),
nesta aventura na qual não ousaste entrar,
neste mundo que não vieste a tempo explorar...

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Frases

Ontem ao falar com um amigo saiu-me uma frase que me soou muito verdadeira:

"Não me posso desiludir sem criar a ilusão. É como quem não se pode perder por nunca ter partido à aventura..."

Será mais fácil partimos à aventura? ou desiludirmo-nos mesmo sem criar a ilusão? Espelho esta minha confusão por sentir coisas que já não fazem mais sentido...

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

Limite

Choro pelo cansaço que não partilho
Sinto por dentro esta doença que consome
Todas as energias que me restam
e como tal não durmo, não descanso.
Sou o acumular de situações que se mantêm
e não consigo rebentar, libertar esta tensão.
Tenho sono mesmo quando durmo
e cada dia parece o começar de um batalha.
Parto para um campo já vencido
e nem a alma destroçada pôde descansar...
Morro sem saber porquê, vivo sem querer morrer
até ao dia em que se acabe o sonho.

sábado, fevereiro 07, 2004

Saudades

Saudades desses dias de encanto,
das pequenas coisas que me fascinam,
que me fazem perder na fantasia,
essas crenças de criança em que tudo é possivel.
Escondo em mim a essência de outros tempos,
em que de cabeça me dava a toda a alegria
de acreditar em sonhos tão incertos
mas que afastavam tanto a solidão...
Perdido na minha imensa apatia vejo um mundo diferente,
diferente daquele que conhecia, que respirava
neste mundo não há sonhos, não há paixão,
mas tu apareceste, vindo de um nada distinto deste meu.
Vieste com um instinto salvador, como o gémeo que me falta
lembrar-me deste mundo de sonho, de amor
em que tão fielmente eu acreditava...
Permitiste-me ver que não morrera ainda,
não tirei de mim esta vontade, vontade imensa de vencer,
de amar por toda a eternidade.
Sei que algures, no meu interior, vive ainda essa criança
para a qual tudo é possivel, tudo é real...
para a qual o pôr do sol à beira mar
é ainda uma das suas grandes alegrias.

domingo, fevereiro 01, 2004

Alturas existem em que escrevemos páginas e páginas e não nos sentimos completos, em que lemos folhas e folhas e não percebemos nada do que lá está. Nestes momentos perco-me no interior da minha mente, nesse mundo escuro em que vejo ainda menos do que cá fora, penso em tudo o que está errado neste mundo e sinto-me pequeno... No meio dessa escuridão é onde tu apareces, cavaleiro andante na neblina, que tentas em vão aparecer em meu socorro. Perco-me, cada vez mais perco-me de ti, afasto-me desses sentimentos de alegria e jovialidade que me eram tão característicos, prendo-me talvez. Velhos tempos em que o coração viajava solto, sem estes pesos que o mantêm tão preso aqui... sinto-me frustrado pelo medo que não soube perder pelo caminho, este medo que se sente pelo ar quando se aproxima um novo amor, perco-me, sim esse é o sentimento, perco-me novamente nesta dor que me inspira e solta as palavras que há em mim... porque nunca sei o que sentir? porque nunca conheço o caminho a seguir? porque nunca estás aqui ao pé de mim... podesse apenas por um instante sentir que tens este sentimento enorme também por mim, podesse apenas por uns instantes aninhar-me no teu colo à luz de um luar...

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Saudades

Escrever é como um vício lento,
consumindo as palavras que nos correm pela alma.
Escrever é como um vício daqueles que amamos,
que desejamos que não fuja ao nosso alcance.
Escrever... é como quem canta uma melodia,
como quem vibra as cordas com um sopro melancólico
até que a voz lhe doa de alegria.
Escrever é todo um mundo contido nestas letras,
é partilha, dádiva do meu ser a quem me agarre.
Queria eu ter o dom de pela escrita
colorir de mil tons cada dia cinzento deste mundo
de pelas letras compostas em fileiras
trazer alegria a todos os que sofrem, aos que choram.
Escrever... é a minha forma de companhia,
de mostrar a minha fase de revolta,
mas também de paz e harmonia,
É condensar na folha todos os mundos fantasiosos
que em mim habitam... será que alguém lê?

terça-feira, janeiro 27, 2004

Procura-se

Letras, palavras, frases em que me perco
Folhas, capítulos, livros em que não me encontro
Tento encontrar formas de procurar-te
Mas a teoria nada me ensina em como amar-te.
Tantos livros lidos, páginas reviradas
E não sinto que ajudem a encontrar-te...
Vejo como te perdes a pouco e pouco, dia-a-dia,
nesse desespero que te consome, que construíste...
Tento lançar-te o que também tu conheces,
Técnicas, mestrias, métodos para não te afogares
Mas tu não ligas e segues remando para o escuro.
Um sorriso apenas e faz-se luz! Por uma piada simples
Voltei a ver a esperança espelhada no teu rosto,
A alegria menina de outrora com que me perdia...
Tento em vão contar-te mais umas piadas,
Mas a menina já se escondeu atrás da catarata
Formada pelas lágrimas que derramas nessa tua solidão
(Que sentimento egoísta este da depressão...)
Olho-te, como no início olhava as páginas
E continuo sem saber qual o caminho a seguir.
Também em ti não encontro a melhor forma de procurar-te...


(Dedicado a todos aqueles de quem gosto, mm que não seja um poema lindo :P)

sábado, janeiro 10, 2004

Eu sei que é grande, desculpem...

Bastou uma noite para que tudo acontecesse, para que todos os sonhos se tornassem realidade sobre os seus corpos nús. Ainda há pouco se conheceram e era como se por toda a vida tivessem sido companheiros, como se sempre houvessem partilhado todo o íntimo dos seus seres. E ali estavam, deitados sobre aquele leito, do qual só muitas horas mais tarde ousaram sair, com um grande sentimento de perda. Ali ficara um primeiro sonho partilhado, na cumplicidade dos seus corpos que momento antes se tinha unido em calorosos movimentos. Foi ali que cresceu esta magia, um sentimento de não mais querer largar, de deixar para trás pedacinhos de cada um quando tinham de se separar... Na realidade nenhum queria um relacionamento, a mágoa já prescrita com data de acabar, viviam assim aquela amizade colorida, que os prendia um ao outro, que tornava tudo certo quando compunham aquela secreta sinfonia na intimidade do seus mundos. Sim, era secreta esta partilha, ambos receavam as reacções, nenhum sabia o que esperar do outro, tudo tinha acontecido, tudo tinha sido tão bonito, porque haviam de estragar? Deixavam em aberto a possibilidade de virem a amar, mas para já viviam nesta tão sua harmonia. Eram, por assim dizer, dois clandestinos, mas isso só aumenta o desejo que entre eles crescia a cada dia, embora houvesse também o desconforto, um sentimento de estar a enganar aqueles que ambos amavam de formas tão distintas... Nenhum resistia àquela chama que se erguia, era impossivel contrariar este desejo que ardia assim que os seus olhos se encontravam, esta beleza e entendimento que pelos dois se estendia. Chamar-lhe-iam alguns de amor? Bem, talvez. Como negar que entre os dois algo existia?
Voltaram a encontrar-se pouco depois, talvez no dia seguinte a essa madrugada, iam com receio desta nova alvorada, mas o mundo desapareceu num só toque e todos os sentimentos abriam portas à ansiada alegria. Mas também o medo tinha o seu papel nesta melodia, o receio de que algo não corresse bem, que podesse acabar de uma forma que os zangasse... e aí eles morreriam, como passar os dias sem os risos um do outro? sem as suas brincadeiras de criança, sem nunca existir o seu toque cúmplice que tão reflectidamente escondiam... Na verdade também escondiam um do outro, pouco sabiam sobre quem eram, partilhavam assim o seu gosto pela farsa contida nas peças destas vidas sem saberem que mais havia a explorar! Não falam de coisas complicadas, ligam-se pelas banalidades do seu dia-a-dia e pouco mais, não precisam de mais nada para se sentirem completos, um do outro a cada instante.
Ainda hoje se tenta perceber porque existe este sentimento entre os dois, o que une estas almas desta forma tão intensa não lhes permitindo resistirem-se mutuamente sempre que se encontram. Não se sabe também como correrá esta história que aqui se apresenta, que mistérios irão desvendar pelo tempo que corre entre os dois. Há quem jure que ainda hoje passando à sua porta, se ouvem os risos da sua eterna alegria...
Deseja-se mais um final feliz, que não lhes encha uma nova página no seu já extenso livro de mágoas, outro dos gostos que partilham...

Indiferença

E depois riste-te!
Como se nada te fosse diferente,
Como se tudo te fosse conhecido
e eu chorava lentamente,
para mim nada mais sobrava aqui...
Chovia lá fora! Pelas ruas...
a água que me invadia, me afogava
com a qual não conseguia combater,
ia-me roubando as forças mais secretas
sugando o pouco de vida que havia em mim...
E tu partiste sem demora!
Como se até àquele instante
nada tivesse acontecido entre nós,
como se não tivesse vivido já uma partilha
E eu ali fiquei!
Olhando a chuva que caía,
a água que me era tão estranha e diferente
neste sentimento perturbado de criança
na solidão imensa daquele quarto escuro...

A Dulce Pontes

O som que me chega pela tua voz
Que aquece aquela recatada solidão
Do abandono como um barco ao vento
Que voltará talvez à madrugada.
Sou o mar que sereno subjaz
À quietude desta lonjura que abarca
O novo tempo contido nos temporais
E que espero que se espelhe pelos céus.
Serei o eterno viajante que procuras
Mas pelo espaço não encontras
Serei o eterno evanescer de um novo dia
Que tentas agarrar pela ameno nevoeiro
Mas que pelos dedos escorrega livremente
Como a seda escondida no silêncio
Contida em todas estas recordações
Contida em todos estes sentimentos
Que me chegue sempre o mar pela tua voz...

domingo, janeiro 04, 2004

Bom Ano!!

A todos os que me visitam por aqui, bom Ano de 2004. Wishing that all your dreams come true...