sábado, outubro 23, 2004

Naúfrago

Tantos mundos esquecidos aqui
de cores que já em tempos brilharam.
Tantas pessoas marcadas
pelo simples esquecimento de um ser
que em tanto não ousou vencer...
A solidão que caracteriza uma nova passagem
que se entranha, cola, penetra as células
que resistem lutando por um pouco mais de vida.
Lágrimas, resistentes pérolas que não caem
permanecendo internamente, afogando a minha alma
num desespero de não saber mais o que fazer.
Desse sentimento faço uma salvação que não existe
que já em tanto me destruiu os alicerces.
Quero esquecer-te mas não consigo
porque tal esquecimento levar-me-ia a esperança
aquela que nunca almejei esquecer ou abandonar.
Sou um barco que naufragado vai ainda navegando
num mar de uma esperança abatida
de um dia, nem que seja ao longe, vislumbrar
esse bocadinho de terra esse cantinho de um coração.

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